eu ia dedilhar alguma coisa e estava decidido a isso até decidir entrar no blog do silas, um sujeito da ilustrada que eu deixei em são paulo junto com todo o resto, e ler isso. aí o dedo no teclado ficou pra depois.
——-
Arquivado em: silasmarti
não é a primeira vez que desço em são paulo de avião, mas não resisti me debruçar por cima de um colega de viagem hoje à noite só pra dizer que é mesmo a cidade mais linda do mundo. de onde estava há algumas horas, era só o eco da greve dos metroviários e os ônibus parados. a chuva no fim de semana também causou estragos. mas lá de cima, sobra só a constelação da paulicéia. tudo brilha numa paz movediça e as luzes me enchem de alegria.
pensei em voz alta quando disse que são paulo é mesmo a cidade mais linda do mundo. o estranho foi ouvir do colega ao lado uma confirmação. ele concorda e diz orgulhoso que sua casa já é são paulo. rafael acaba de trocar brasília pela capital paulista, onde veio trabalhar no mesmo jornal que eu. mesmo que ainda perdido por aqui, já assumiu nosso bairrismo agressivo. não importa. ele morre de medo de avião, e senti um prazer inexplicável quando ele replicou minha frase minutos depois de confessar o pavor que lhe causa a idéia de aterrissar em congonhas, bem no meio das casas e prédios de moema.
no pé da segunda página da ilustrada, as primeiras impressões da colunista que vai passar um mês em berlim. eu que também já caí de amores pela nova istambul, como ela chama a capital alemã, confesso que hoje meu coração teve espaço só pra são paulo. mas a sensação é a mesma, isso de chegar a algum lugar onde é certo que vamos encontrar alguma coisa que importa, algum sentido pra toda tolice. e é verdade que quase tudo que interessa pra mim está mesmo por aqui.
dei até r$ 2,00 a mais pro taxista, só porque a noite está linda lá fora e a consolação treme até agora.
—-
ler isso foi uma felicidade estranha em tempos estranhos. obrigado, silas, pela alegria repentina. o texto me fez pensar um pouco nele, e no quanto eu o acho uma pessoa diferente, com experiências diferentes. é um discurso meio ana estela mas vale. assim como todos os outros. mas aí. a joh foi pra frança, a mari virou diplomata, a verena continua lá e o willian se livrou dos mortos. e hoje eu saio com os amigos da faculdade e com os antigos.
se talvez eu ficasse em são paulo, nunca passaria pelos tempos estranhos que não vêm ao caso, mas que vão saindo aos poucos. ao menos eu espero. ter voltado tem seu lado interessante, e me parece até hoje a coisa certa.
quão bizarro é achar que se está sendo perseguido sem saber mesmo se está, e eu tenho quase certeza que não estou. um medo louco de que aconteça algo e foda o resto de tudo. disso eu tenho medo. medo mesmo. é um frio na barriga que não some, por mais que eu queira que e tenha certeza de que tudo vai dar certo. e que seja um mantra que eu repita pra mim mesmo. eu gosto de me sentir culpado. eu queria que o frio acabasse. ele vai e volta, eu acabo e ele começa. assim a gente vai.
a larissa disse na semana passada, em são paulo, que há chances de que eu não goste de mim já que não gosto de brasília. eu achei divertido e ri. e não concordei.